Tolerância à ditadura atinge o maior índice desde 1989

Tolerância à ditadura atinge o maior índice desde 1989

Segundo o Datafolha, 21% avaliam que regime de exceção pode ser melhor que a democracia

PUBLICADO EM 02/10/17 - 03h00
BRASÍLIA. Em meio à violenta crise política que afeta o Brasil desde meados de 2013, o apoio da população a um regime democrático diminuiu e a tolerância a uma solução ditatorial atingiu seu maior patamar desde que a pesquisa Datafolha começou a ser feita, em 1989.
De acordo com os números, divulgados no domingo (1) pelo instituto no jornal “Folha de S.Paulo”, são 21% os eleitores que admitem a ideia de que, em certas circunstâncias, uma ditadura é melhor que uma democracia. Em dezembro de 2014, quando a mesma pergunta foi feita, esse índice era de apenas 12%. Até então, o pico de apoio a uma ditadura havia se dado em setembro de 1989 e em junho de 2000. Nas duas ocasiões, a opção foi considerada por 18% dos entrevistados.
De outro lado, os que defendem que a democracia é sempre a melhor das formas de governo recuaram para 56%. O índice é o mesmo registrado em julho de 2005, logo após estourar o escândalo do mensalão. Desde então, o apoio à democracia sempre registrou índices maiores do que esse. Em dezembro de 2014, 66% dos brasileiros defendiam os regimes democráticos de forma incondicional.
A queda no apoio da população à democracia, mostrada na pesquisa, é vista como preocupante pelas lideranças partidárias. Na avaliação dos dirigentes, a percepção dos entrevistados se deve ao que consideram ataques aos partidos e aos políticos.
“Criminalizaram a política, que é um dos sustentáculos da democracia”, diz a presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann, que, curiosamente, culpa o combate à corrupção e a revelação dos escândalos pelo cenário.
“Isso é fruto da união de posicionamentos de setores mais reacionários da sociedade com parte da mídia e a Lava Jato.”
“Hoje os políticos são linchados como bandidos”, diz o deputado estadual Pedro Tobias, presidente do PSDB em São Paulo.
“Mas isso (defender ditadura) é fim de mundo. Se precisar andar na rua para se manifestar contra, eu sou o primeiro a ir”, avisou.
“A mídia brasileira ataca diariamente o sistema político. Nunca dá uma notícia positiva. E a Lava Jato é a maior fonte de notícias, muitas vezes com informações e delações falsas”, afirma o deputado federal Carlos Zarattini, líder do PT na Câmara.
2018. Além da queda do prestígio da democracia, a pesquisa Datafolha revelou também cenários ao Palácio do Planalto em que o ex-presidente Lula, apesar da condenação em primeira instância e das diversas acusações em análise na Justiça, lidera a disputa, um ano antes da abertura das urnas.
O petista tem, pelo menos, 35% das intenções de voto nos cenários testados.
Jair Bolsonaro (hoje no PSC, embora em conversas com o futuro Patriota) e Marina Silva (Rede) empatam em segundo lugar. O deputado federal oscila entre 16% e 17% e a ex-senadora varia entre 13% e 14% nos cenários com o ex-presidente no páreo.
Em disputa pela vaga de candidato tucano, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o prefeito da capital paulista, João Doria, possuem índices semelhantes, sempre abaixo dos 10% das intenções do eleitorado.
Lula tem vantagem em todas as simulações de segundo turno, seja qual for o adversário, mas segue sendo o mais rejeitado, ainda que o índice tenha caído de 46% para 42%. O segundo mais rejeitado é Jair Bolsonaro (33%), seguido de Geraldo Alckmin (31%), Rodrigo Maia (30%) e Fernando Haddad (29%). Ciro Gomes (PDT) é rejeitado por 27%, Marina Silva, por 26%, e João Doria por 25%. O menos rejeitado entre os testados é o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa: 21%

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